Fiscais encontram pacientes feridos em clínica clandestina para dependentes químicos

Divisão de Saúde da Prefeitura de São Roque (SP), com apoio da Promotoria de Justiça e da Polícia Militar e Civil, fechou novamente uma clínica de reabilitação que já estava interditada, mas continuava funcionando clandestinamente.

A operação foi realizada na segunda-feira (9). No local havia 23 internos, a maioria portadores de doenças psiquiátricas severas, com alto grau de dependência.

Alguns pacientes tinham sinais de violência e de uso abusivo de medicações de controle especial, segundo informou a prefeitura. Por conta disso, precisaram ser encaminhados para um hospital da cidade.

Um dos pacientes é a filha da vendedora Gisele Branca do Carmo, que estava na clínica há sete dias. Ela conta que se surpreendeu quando recebeu uma ligação informando que a garota foi levada ao pronto-socorro com ferimentos.

“Ela estava toda roxa, com ‘sangue pisado’ no olho e com um ferimento feio na cabeça. Só sabia me dizer que estava com medo, porque tinha apanhado muito. Paguei R$ 2.070, entre matrícula e mensalidade, e fazem isso com a minha filha. É um absurdo.”

De acordo com a chefe da Divisão de Saúde, Daniela Dias Groke, a clínica – que funcionava em uma chácara na Zona Rural de São Roque – já havia sido interditada pela Vigilância Sanitária em janeiro deste ano. Porém, o departamento recebeu denúncias de que o local ainda estava em funcionamento.

“A fiscalização não encontrou evidências do funcionamento ou teve sua ação obstruída. Assim, em contato com a Promotoria de Justiça da cidade foram tomadas medidas para que fosse garantido o direito de averiguação do local e da condição de vida das pessoas que lá viviam”, diz.

Ainda de acordo com Daniela, as condições higiênicas no local estavam irregulares: não havia camas e o relato dos pacientes incluíam privação de alimentação e outras necessidades básicas, como água e banho.

Os internos foram alocados temporariamente em clínicas e lares da região, enquanto os serviços do departamento de saúde tem buscado contato com as famílias para que resgatem os parentes.

A denúncia de maus-tratos foi encaminhada para a Polícia Civil, que deve abrir um inquérito para investigar o caso. Ninguém da clínica foi encontrado para comentar o assunto.

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