Aliados de prefeito suspeito de elo com PCC disputam prefeituras de Itapecerica e Vargem Grande Paulista

Na página do Facebook de Ney Santos (Republicanos), prefeito de Embu das Artes (Grande SP) , um comentarista parabeniza o político e o chama para a cidade vizinha: “Vem pra Itapecerica [da Serra]”.

Ney, que concorre à reeleição em Embu das Artes e tem negado as acusações, responde com um pedido de voto em um aliado: “Amigo, eu não posso, pois estou prefeito aqui em Embu kkk. Mas aí estou lançando o meu secretário de Governo”.

O Jones Donizette (Avante), braço direito de Ney Santos na gestão de Embu das Artes e uma das pessoas do grupo político dele que concorrerão a uma prefeitura da região.

Em Vargem Grande Paulista, outro município das redondezas, Piter Santos (Republicanos) também se lançou à prefeitura. Amigo de Ney Santos, ele é réu na Justiça sob acusação de ser seu colaborador na prática de crimes.

Com candidatos com ou sem acusações, o grupo político de Ney Santos tenta se expandir na região metropolitana de São Paulo e tem pretensões políticas de longo prazo. Ney, popular nas cidades do entorno, atua para expandir sua área de influência.

Juntas, Embu das Artes, Itapecerica da Serra e Vargem Grande Paulista têm aproximadamente 500 mil habitantes.

Conforme a Folha mostrou no último dia 21, Ney responde uma série de processos  em que é acusado de crimes como corrupção e organização criminosa, incluindo a atuação em favor da mais importante facção do estado.

Jones não tem acusações na Justiça por esses motivos, mas tem o apoio político de Ney, que é um de seus principais cabos eleitorais.

Já Piter, assim como Ney Santos, também teve a prisão decretada e foi denunciado sob acusação de organização criminosa e lavagem de dinheiro ligado ao PCC.

Naquela denúncia, Piter é apontado como laranja de Ney Santos em postos de gasolina supostamente vinculados à organização, além de acusado de ter sido proprietário de fachada de bens do prefeito, como automóvel e casa.

Assim como Ney, apontado como o comandante desse grupo criminoso, Piter também ficou foragido entre o fim de 2016 e 2017 e foi beneficiado à época por um habeas corpus expedido pelo ministro Marco Aurélio Mello, do STF.

Piter, 39, nunca tinha sido candidato, mas foi assessor legislativo na ALESP  no gabinete de um deputado do PSC, em 2010, partido pelo qual Ney ingressou na política.

Na campanha em Vargem Grande Paulista, Piter se apresenta como empresário, tendo inclusive já gravado vídeo de apoio de Celso Russomanno, candidato do partido em São Paulo. Piter declarou patrimônio de R$ 6,7 milhões, sendo R$ 350 mil em dinheiro vivo.

Disse possuir ainda uma revenda de automóveis e uma factoring (empresa que compra à vista títulos que outras firmas têm a receber, como cheques pré-datados).

Em evento de filiação ao Republicanos , em março deste ano, Piter chamou o amigo de irmão e o colocou como referência. Lembrou até da ocasião em que o correligionário não compareceu à posse por estar foragido, em 2017.

“Eu escuto aqui nossos amigos, nossa população, dizendo que se futuramente tiver uma pessoa à frente desse governo fazendo 10% do que Ney está fazendo no Embu, Vargem Grande será uma cidade feliz.”

Prefeito diz que esta provando sua inocência e se defende de perseguição.

A defesa do candidato Piter Santos afirma que o processo no qual ele é réu não contém “qualquer indício de prática criminosa ou de envolvimento em organização criminosa”.

“A acusação é baseada tão somente no achismo. O Ministério Público acha que teve algum tipo de coisa errada, mas não só não provou como não trouxe qualquer elemento”, disse à Folha o advogado Daniel Bialski.

Os advogados de Piter obtiveram em 2019 ordem para paralisar o andamento do processo até que fossem analisados questionamentos prioritários apresentados anteriormente pela defesa.

A Folha também procurou a direção municipal do Republicanos em Vargem Grande Paulista para comentar o teor da reportagem, mas não obteve resposta.

Link da reportagem completa da Folha:

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/11/aliados-de-prefeito-suspeito-de-elo-com-pcc-disputam-prefeituras-de-cidades-vizinhas-na-grande-sp.shtml

Comments

comments

Inline
Inline